domingo, 23 de outubro de 2011

enem

.


sentando-se, abrindo uma Bohemia gelada e...

muita coisa nova no fronte. afrontas para novas batalhas, tralhas (muitas) pra ajeitar após a mudança. dança das cadeiras: voltei pra casa de minha mãe. segurança familiar, renovação, carregar as baterias, preparar para os próximos passos. janeiro chegando. ansiedade, as unhas no tronco, coisas essas. sem tempo pra uma porrada de coisas.

bem, passarão passarinho: o que me interessa é o caminho (com espinhos, flores ou dores); por-se a.



(Canela - Rio Grande do Sul - 2008)




olhos marejados com as lembranças dessa semana: 

meus alunos do terceirão um dia antes do Enem. lágrimas, saudades, muitas lágrimas, discursos sobre amizade, abraços apertados, promessas de laços pra vida toda, agradecimentos aos colegas, aos professores, aos coordenadores...  inevitável não passar um filme de longa metragem na cabeça, o corpo vibrando, um monte de reticências no olhar. vejo alguns deles no futuro. 
inevitável não lembrar de meu terceiro ano. Escola de Ensino Fundamental e Médio Eduardo Campos, na av. Sargento Hermínio, perto do Liceu do centro de Fortaleza. Mudaram o nome. Não entendo porque tirar o nome de um grande escritor cearense e mudar... pra qual nome mesmo? 
Fiz os três anos do ensino médio lá. Fiz minhas primeiras poesias lá. Ganhei um prêmio em 2001. Tenho orgulho de lembrar desses anos, dos professores, dos colegas, das inúmeras dificuldades. Muito orgulho mesmo. Na noite de formatura, com a voz segura mas com as mãos trêmulas de tanta emoção, recitei Vinicius. Operário em construção. "Como um pássaro sem asas / Ele subia com as asas / que lhe brotavam da mão".

quando estava finalizando a aula de sexta feira (ao invés da óbvia revisão de Sociologia/Filosofia pro Enem, preparei uma aula de relaxamento, exercícios de respiração, alongamento; os alunos curtiram muito; foi lindo) eu repeti algo que carrego comigo desde a época do meu terceiro ano: 

parece clichê, mas se é pra fazer uma escolha, faça de maneira radical (no mais legítimo sentido da palavra). Essa escolha vai te colher  (ou te tolher) durante toda a sua vida. Eu fiz a minha e trato de renová-la sempre.
Por conta dela magoei pessoas, chorei, sorri, errei muito, acertei... e sigo. Com as asas que brotam das minhas mãos.




.

0 Alterações, aliterações: