sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

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escrevia no espaço
hoje, grafo no tempo,
na pele, na palha, na pétala,
luz do momento.

sôo na dúvida que separa
o silêncio de quem grita
do escândalo que cala,
no tempo, distância, praça,
que a pausa, asa, leva
para ir do percalço ao espasmo.

eis a voz, eis o deus, eis a fala,
eis a luz se acendeu na casa
e não cabe mais na sala.


Paulo Leminski. Sintonia para pressa e presságio. In: La vie en close.



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Em destaque: VAZ, Toninho. Paulo Leminski: o bandido que sabia latim. Rio de Janeiro: Record, 2001.
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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Pessoal Instransferível (Torquato Neto)

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Escute aqui meu chapa: um poeta não se faz com versos.
É o risco, é estar sempre a perigo sem medo,
é inventar o perigo e estar sempre recriando dificuldades
pelo menos maiores, é destruir a linguagem e explodir com ela.
Nada nos bolsos e nas mãos.
Sabendo: perigoso, divino, maravilhoso.
Poetar é simples, como dois e dois são quatro, sei que a vida vale a pena, etc.
Difícil é não correr com os versos debaixo do braço.
Difícil é não cortar o cabelo quando a barra pesa.
Difícil para quem não é poeta, é não trair a sua poesia,
que pensando bem não é nada, se você está sempre pronto a temer tudo,
menos o ridículo de declamar versinhos sorridentes.
E sair por ai, ainda por cima sorridente, mestre de cerimônias,
"herdeiro" da poesia dos que levaram a coisa até o fim e continuam levando, graças a Deus.
E fique sabendo: quem não se arrisca, não pode berrar. Citação: Leve um homem e um boi ao matadouro. O que berrar mais na hora do perigo é o homem, mesmo que tenha sido o boi. Adeusão.

Torquato Neto.




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Jards Macalé e Paulo José

http://www.youtube.com/watch?v=XTHS1y2kibk




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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Piedra y camino

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Es mi destino
Piedra y camino
De un sueño lejano y bello, viday
Soy peregrino.



Por más que la dicha busco,
Vivo penando
Y cuando debo quedarme, viday
Me voy andando.
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A veces soy como el río
Llego cantando
Y sin que nadie lo sepa, viday
Me voy llorando.
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Piedra y camino (Atahualpa Yupanqui)
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Gracias a La Vida

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Gracias, Mercedes Sosa!
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Una canción con todos! Hasta siempre!
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domingo, 4 de outubro de 2009

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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

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poesia

é de berço
de gole em gole
de pé
ante pé

é cruzar miragens
variar (das) ideias, sensações


é astrolábio em estado de graça

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O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa
era a imagem de um vidro mole que fazia uma
volta atrás de casa.
Passou um homem depois e disse: Essa volta
que o rio faz por trás de sua casa se chama
enseada.
Não era mais a imagem de uma cobra de vidro
que fazia uma volta atrás de casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem.




Manoel de Barros.
Uma Didática da Invenção.
In: O Livro das Ignorãnças.


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"... e tudo mais jogo num verso"



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revele teus fantasmas
debaixo dos lençóis
vele o infantil desejo
de ter medo de nós


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muito

formal simplório
calculista hermético
esquisito marginal


pouco

charme



(muito alma
pouco carne)


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o poema suja
tuas mãos calejadas
de silogismos

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like a rolling stone


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Qual tua casa?
Cárcere, drink, árvore, ponte, estrela, estrada?

Se tem asa

cá!

Se lá,

alado no tempo
nada calado
cada peregrino erigindo exigindo mitos imagens eremitas imitando os nômades sem nome
(sic. pleonasmo)

Sem nome

Se me asfalto
e/ou
me afasto do real,

(Graal Baal
bala no Santo pente
aponta o sangue
baila no cabelo
tomado de assalto
enterra sete palmos
& dias & choros: amém!)

Se crio irrealidades
sem promessas
sem essa de sim ou não
sem isso de aquilo à quilo

quiasmo


Sem parâmetros
ara
o paradeiro
em voga
é

o que brota dos telhados
da visão periférica ferida ferina
debaixo das narinas?

(A rima suspeita
vaga
invade,
qual OVNI
em pradarias
inóspitas,
praguejando

o imperfeito
o sentido
do sujeito
todo o sentido
predicado
encoberto:

o sotaque
o toque
o cheiro
o som
a soma
a súmula)

o quê?
Qual?

se,

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Quem
tem
verve?

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Fortaleza

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I.

abrir alas
além
de salas

querer passar
na lira
da praça

apreciar selos
lamber elos
& ei-los:

negar bandeira branca

não dar sopa
na quarta
assobiar a marcha,
a feira de cinzas
de brasas
mora na rua

& arrua
o aço do bordão:

"... que eu quero passar"


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II.

Meu coração de malandro
de barão da ralé
ensaia um balé
neste singelo antro

(Me) beija a flor sorridente,
a multidão em seus rizomas,
acasos sentidos aromas
e refaz meu corpo ardente

Nesta onírica praça
o tempo passa?
Colombina faz que sim

Pierrot faz que então
e diz que diz que: "nada mal"
Refaz-se o carnaval.



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